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Os Malaquias

24.06.12

Os Malaquias

Andréa del Fuego

Porto Editora

Foi uma leitura densa que não me envolveu completamente e não me permitiu conhecer as personagens.

Nota 2/5.

Não posso falar muito do livro, uma vez concluída a leitura e tento relembrar de alguns seus aspectos, só a custo recordo de algumas imagens, de alguns momentos. A isso penso que se deve à escrita da autora, muito sintética e superficial, não dedica tempo suficiente a cada elemento da história. Senti que apenas são apresentados instantes, uns rápidos vilumbres, acontecimentos que em vários parágrafos podiam ganhar vida aqui foram reduzidas, desvanecidas, em curtas frases. Não que isto dá-lhe um ritmo alucinante, à boa maneira de uma história de acção, dá-lhe exactamente o contrário. Para mim as imagens foram de tranquilidade, de contemplação. Algumas estavam especialmente bem conseguidas. Apercebi-me que tinha de ler devagar, com cuidado, frase a frase, não vá deixar de conseguir acompanhar a história. Falhei. Por muitas vezes aconteceu ser surpreendido com uma personagem que julgava ser nova, "quem és tu e que fazes aqui? Mas a autora já te apresentou sequer?", voltava páginas atrás e identificava o ponto em que ela foi introduzida. Sem descrições nem nada, nem uma menção do que faria ali, cabia a mim descobrir estas coisas ao longo da leitura.

É um estilo completamente novo de narração, na minha opinião. Creio não ser algo que abraça o leitor, antes o leitor tem de correr atrás.

Quando retomo a leitura do livro (faço pausas frequentes e um assim espaçadas) gosto de ler um bocadinho do ponto em que deixei a leitura, para refrescar-me um pouco a minha memória. Não é que não recordava nada daquilo? Achava mesmo que não li aquilo, que pus o marcador na página errada, só podia!

* spoiler *

Então, houve uma altura em que a Júlia ficou com um bébé nos braços. Mais tarde quando a vi sem um bébé que a acompanhasse e me estava a esquecer deste particular acontecimento, fui atrás ver quando é que "desapareceu". Uma única frase, de menos de dezena de palavras. Não mais se falou do bébé. A sério? Não causou qualquer impacto à Júlia? Assim é tão fácil desligar-se de uma história.

* spoiler *

Uma coisa curiosa que reparei é que este estilo é tal que cortou até nas indicações das falas das personagens, quase não tem as expressões "Nico disse" ou "Júlia disse". No entanto foi fácil e intuitivo atribuir correctamente as falas às personagens.

O livro foi uma eterna novidade mas não fiquei deslumbrado como o Pessoa com o Mundo. Mas foi pena o estilo sintético da autora, como já referi há algumas imagens belamente evocativas e tinha alguns elementos fantasiosos que muito aprecio, como nos capítulos 2 e 63 entre outros, que me faziam seguir teimosamente a história.

Talvez eu ainda não tenha uma sensibilidade madura, talvez a autora foi demasiada arrojada. Definitivamente não foi livro para mim.

A capa está somente espectacular!

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publicado às 19:17


2 comentários

De Ana Nunes a 28.06.2012 às 00:03

Não creio que seja, como dizes, imaturdade literária que te leva a ter esta opinião. Posso dizer que partilho dela. A autora contou uma bela história, sem d+uvida, mas fê-lo de forma tão sucinta, tão desprovida de sentimento, que lhe tirou o brilho.
Daí que me reveja na tua opinião.

De rui alex a 29.06.2012 às 00:12

Ana, bem-vinda a este meu novo cantinho!

é, também acho isso, precisava não de mais palavras mas de sentimento.

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