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Jesus Cristo bebia cerveja

11.02.13

Jesus Cristo bebia cerveja

Afonso Cruz

Alfaguara (não tem em pt...)

Livro fascinante e desanimador em igual medida

Nota 4/5.

É um livro que imediatamente cria fascínio, seja pelo tom, seja pela escrita. Uma escrita rica e cativante, pontuada por frases marcantes que facilmente são recordadas após terminar a leitura. O autor é capaz de fazer cada observação fascinante, as páginas estão pejadas delas.
Além do carácter filosófico, há também uma certa bizarria nas personagens. É uma colecção de personagens singulares mas a minha favorita é o rapaz da lanterna, que infelizmente teve pouco tempo de presença, cuja particularidade é andar com a lanterna sempre a todo a lado (dito assim não parece, só lendo). O rapaz é um pastor e ilumina o caminho das pessoas. A lanterna é um exemplo de símbolo e através da simbologia o autor construiu pequenas histórias que orbitam as personagens. Gosto de como o autor o fez, não diz "as coisas são como" mas "as coisas são". Eu, pessoalmente, sempre vi a comparação como uma espécie de batota (sim, fiz agora). Parece fácil dizer "esta coisa é tão xpto como essa_imagem_que_não_tem_nada_a_ver". É dizer de uma vez e pronto "esta coisa é imagem_que_não_tem_nada_a_ver". É mais difícil fazer resultar. Confere assim a tal bizarria, mas as personagens são-no mesmo.
(Adiante, isto é um mero aspecto do livro)

Mas é um livro negro. Pessimista. O fascínio cedeu lugar a inquietude. Cheguei a um ponto que me desligava da história, não sei como isso aconteceu, mas foi nessa monotonia que senti desânimo com as personagens todas, principalmente com o Professor (que na minha opinião é a personagem principal, achei que tinha o passado mais explorado). Ele que parecia tão decente tornou-se totalmente enervante, o nojento nem apercebia do mal que causava nas pessoas. Apetecia-me dar-lhe uns tabefes.

Este tipo de fervor não é nada, nada comum, não é com qualquer livro que acontece.

 

A capa está tão engraçada.

Curiosidade: o livro vem acompanhado com um livrinho "A morte não ouve o pianista", é um primor. Só que aconteceu o livro contar o final do livrinho, que chatice, ainda não o tinha lido. E até teria sido melhor ter-lo lido primeiro, pois o final do "Morte" complementa o final do "Jesus".

 

Curiosidade segunda: há uma parte em que a população da aldeia une os esforços para levar a avó de uma personagem à Israel.

spoiler )

Ah, recordações...

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publicado às 19:36

Percepção, uma estranha realidade

07.02.13

Percepção, uma estranha realidade

Sara Farinha

Alfarroba

Uma leitura agradável com um emocionante final

Nota 4/5.

Entrei um pouco mal na leitura deste livro. Achei o primeiro capítulo um pouco algo massivo. Rapidamente conhecemos o passado da protagonista, com muitos significados em um capítulo.
Funcionou como uma espécie de prólogo, pois os restantes capítulos já foram fáceis de ler.
A escrita é de um estilo simples e fluído, momentos há que sente-se uma certa repetição mas que mantém interessado o leitor. Com doses de mistério, a leitura avançou mais rápido ao aproximar-se do final.

 

A história tratava-se de Sensitivos, pessoas com capacidade em explorar sentimentos alheios.
A primeira parte do livro narrava a relação amorosa entre os dois protagonistas. Não costumo ler do género (os últimos livros que tocaram no aspecto foram o Rapariga que roubava livros (não muito) e o Scott Pilgrim, foi há tempos), mas na verdade eu até que gosto, desde que seja com bom gosto e se sinta uma ternura, o que foi o caso. Havia um interesse genuíno entre personagens. Mas não fiquei totalmente encantado. O que achei mais curioso foi o lado mais racional que a autora entregou a esses momentos, devido aos poderes sensitivos que moldaram a personagem, sem descuidar dos sentimentos. Achei que o protagonista masculino era um bocado perfeito. Apesar dos defeitos que o perseguiam, sempre o vi como alguém com a palavra certa no momento certo (ou seja, dava para confundir com alguém com lábia).
Gostei muito mais da protagonista feminina, torcia por ela.

 

A segunda metade do livro foi emocionante, quando entrou em cena o Convénio. Tratava-se de uma sociedade interessada em pessoas como a protagonista e que fazia de tudo para que essas pessoas estivessem a seu lado. Essa páginas agarraram a minha atenção, cheias de mistério e suspense. O confronto dos protagonistas com o Convénio esteve intrigante, a autora permitiu-se especular de modo original as manifestações e consequências dos poderes de todos. Há uma certa ambiguidade nos comportamentos de algumas pessoas, não eram bem o que pareciam ser. Daquelas de que se procurava afastar e das que se procurava por ajuda, fazendo desconfiar até da pessoa mais próxima. Foram capítulos de um rápida leitura. A minha cena favorita foi quando o Convénio capturou a protagonista, um momento tenebroso a evocar alguns filmes de ficção-científica e que permitiu o primeiro vislumbre dos poderes do Convénio.

 

Ficou no ar que a história não ficou terminada. Batalhas foram travadas mas a guerra ainda perdura. É com ansiedade que aguardo por um novo livro para saber do seu desfecho, e saber mais do Convénio.

 

Este livro, no geral, foi agradável e que apenas pecou na sua estrutura. Teria sido mais entusiasmante se o Convénio tivesse surgido mais cedo na história.

 

A capa está simples mas o seu design não me apelou muito.

 

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publicado às 21:35


Feira do Livro de Braga

Braga, 3 de Julho a 19 Julho


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