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Almanaque Steampunk 2012

10.11.12

 

Almanaque Steampunk 2012

Colaboradores: Joana Neto Lima, Sofia Romualdo, André Nobrega, Rogério Ribeiro, Joana Maltez, Nuno Mendes, Débora Fortunato Moreira, João Ventura, Cláudia Sérgio, Cátia Marques, Pedro Ferreira, Manuel Alves, Joel Puga, Carlos Silva, Pedro Cipriano, A.M.P. Rodriguez, Carla Ribeiro, João Barreiros, Anton Stark, Sérgio Sebastião

Editores: ClockWork Portugal - Joana Neto Lima, Sofia Romualdo, André Nobrega, Rogério Ribeiro

 

É uma antologia muito boa, vale a pena.
O conceito de Almanaque foi cumprido de uma maneira feliz

Nota 4/5.

 

 

Almanaque Steampunk 2012 é um livro organizado pela Clockwork Portugal que procura recriar o espírito dos conhecidos almanaques do início do séc. XX e servir de suporte para expressão steampunk, género literário que promove, e nesse aspecto resultou bastante feliz. Acho que está encontrada uma boa base para os volumes seguintes que pretende lançar.
Inicialmente assustei-me quando foi anunciada a lista dos colaboradores pois era bem pequena e quem conhece os almanaques originais como a do Bertrand sabe que são bem extensos, com letra pequena e tudo, o que era um garante para muitas horas de leitura. E a primeira impressão que tive com este Almanaque Steampunk 2012 é achar ser bastante delgado, apesar de uma rápida vista de olhos às páginas de Créditos verificar que são vários os autores que têm diversos textos inclusos. São 113 páginas, o que é um número bastante em conta, apenas esperava que fosse bastante mais. Talvez se torne um sucesso e nas próximas vezes hajam mais participações, quem sabe.

Gostei bastante de ler o livro. Como referido, há duas vertentes exploradas no livro: o estilo almanaque e o género steampunk. Acho que no geral foi bastante conseguido ambas as aproximações às vertentes, quase todos os textos exploraram muito bem estes conceitos. Não sei se foi intencional da parte da organização, ou pelo menos seria algo de esperar, mas quase todos os colaboradores adoptaram um estilo de escrita similar ao de antigamente, o que resultou bastante giro, é um ponto forte do livro. Torna a leitura mais interessante.
O género Steampunk também foi bem explorado, acho que quem quiser conhecer algo de steampunk e em português pode encontrar neste livro uma leitura bastante satisfatória.

O design, a cargo da Joana Maltez, está atraente e competente. Não recria na perfeição os almanaques originais (não tem letra pequena); está desenhado a pensar num leitor contemporâneo e o estilo está fiel ao do steampunk.

A capa, de Joana Maltez e Sofia Romualdo, está bem executada e a ideia é engraçada: dotar um quadro conhecido de séc. XIX com elementos steampunk, a começar, claro está, pela moça que enverga um traje steampunk. Deixo a sugestão para os próximos volumes as personagens rodar pelos vários elementos da organização.

O livro abre com páginas de anúncios, elaborados pelos Anton Stark, Sofia Romualdo, Manuel Alves, Carlos Silva, Pedro Ferreira e João Ventura, com ilustrações de Nuno Mendes, Manuel Alves e Sérgio Sebastião, entre fotos retiradas de domínio público. Felizmente, minha opinião, ficou conseguida esta secção de anúncios. Tirando o do Poção Hércules, todos têm em poucas palavras ideias muito curiosas e que observam a tecnologia stempunk. De realçar os do Anton Stark, que tem um linguajar acutilante, e o do Pedro Ferreira, que é o mais elaborado de todos, que também adoptou o estilo antigo, mas eu diria que exagerou na dose das maravilhas do seu produto.

Segue-se um interessante editorial onde a organização manifesta o entusiasmo que originou o livro.

Efemérides, de Joana Neto Lima, está muito giro. São apontadas as datas de eventos de steampunk por todo o mundo (verídicos), e não faltam os links para as suas páginas de internet (experimentei-as todas). São muitas!
Ficou completa com factos astronómicos e astrológicos de uma maneira divertida, só que notou-se uma certa repetição.

Horóscopo, de Sofia Romualdo. Não ligo muito aos signos mas gostei de ler :D.
Apesar de algumas parecidas, são hilariantes! O meu favorito é justamente o Gémeos, o meu signo (mas não por isso).

O que é Steampunk? abre a secção de Artigos. Escrito por Joana Neto Lima, André Nobrega e Sofia Romualdo, é um texto que acho que expõe muito bem a história e o fascínio por trás do género steampunk. Talvez fica a ideia que ficou muito por contar mas a verdade é que aprendi bastante com este resumo dos principais pontos do género, valeu a pena. Bonitas ilustrações de Nuno Mendes acompanham o artigo e mostra o lado fashion do estilo. O mangaka, que creio o ser, reproduziu fielmente o que eu entendo pelo steampunk-style mas acho que o traço dele ainda pode evoluir.

Décimo Nono Teste de Competência Robótica – Escrita Criativa é um artigo composto pela Débora Fortunato Moreira (acompanhado pela ilustração do protagonista que assumo ser também da autora. A ilustração está fantástica e é a que melhor representa o estilo, na minha opinião). O texto é o mais estranho de todos. A premissa é interessante, temos um autómato com inteligência artificial que compromete a escrever um texto criativo, esse mesmo artigo. Assenta na lógica e num intuito de aprendizagem, com termos computacionais em excesso, mas resultou num texto, não sei, estranho :)
Só lendo.

Carta Anónima é o último artigo, de André Nobrega. A escrita está eficaz e interessante, lê-se muito bem. É sobre os efeitos negativos da tecnologia na sociedade e sobre interesses do anónimo que deseja ver satisfeitos. A mensagem ficou bem apresentada mas não sei até que ponto o texto contribuiu para o conceito do Almanaque.

Agora a Crónicas Sociais, uma das minhas favoritas.
O Vapor do Chique, escrita por Rogério Ribeiro. É um dos textos que melhor explorou aquela já mencionada escrita de antigamente. É uma coluna de coscuvilhices da alta-sociedade mas resultou uma maravilha. E os elementos steampunk estão imaginativos.
É uma coluna que sugiro que se repita no próximo volume (até por que o autor é um dos organizadores, seria algo de esperar).

O Duelo que não aconteceu, de João Ventura. É o texto que menos gostei no livro. Começou bem, com um disputa entre dois homens que seria resolvida com uso de armas steampunk, que por si só suscitou interesse. Mas... digamos que o título bem que me avisou.

Dicas para Donas de Casa de Madame C., de Cláudia Sérgio.
Ficou muito giro! Tanto explora o contexto do pensamento feminino na época representada (julgo que sim) como também as tecnologias e fashion steampunk, resultando numas dicas bem engraçadas. A autora poderia marcar novamente presença e nem precisava de se sujeitar ao concurso de selecção de textos :)

Jogos ficou representada por dois passatempos.
Sopa de Letras, de Cátia Marques. Eu até que domino este jogo e resolvi-o nuns orgulhosos 5 minutos.

Palavras Cruzadas, de Sofia Romualdo e Joana Neto Lima. A aparente simplicidade (tem uns 100 quadriculas para preencher num quadrado de 484 quadriculas) é enganadora. Primeiro porque apercebe-se que acrescentar letras não dá ajudas em responder às que ficam em falta. Depois as pistas vão desde as óbvias até as bastante complicadas. Ao longo do livro vão aparecendo referências que respondem a algumas mas adivinho que o sucesso total esteja reservado a verdadeiros fãs de steampunk (eu consegui responder 12 das 16 colocadas).

Avança-se para uma das mais volumosas secções do Almanaque, a das Notícias.
Insólito "Crime" nas Margens do Tejo, de Pedro Ferreira.
Gostei bastante, está curiosa e lê-se muito bem. Receio só que a parte das testemunhas do crime não resultar muito bem, na minha opinião, e que o steampunk tenha sido só um cheirinho.
De notar que o texto está assinado com o nome do jornalista ficticio e não do autor, coisa que não se verifica nas restantes noticias (fica meio a destoar).

Explosão da Fundição de Sinos, de Manuel Alves. Não gostei particularmente, acho que ficou aquém do que penso ser esperado. Usa trechos de um suposto diário e foi aí que perdi a minha atenção. Uma coisa gira é que as personagens voltarão a ser usadas numa próxima secção. É assim um aperitivo :)
Após a leitura do livro já vale a pena reler esta notícia.
Acho que houve um erro da parte da organização, é usada a mesma foto nesta e na anterior reportagem. Não seria tão grave não fosse o pormenor de ser a única foto autorizada a ser publicada (as restantes fotos do livro são de domínio público).

Portugal e o Mundo Interior, de Joel Puga.
É um dos textos que mais me divertiu. Muito imaginativo, a fazer lembrar histórias do Jules Vernes, principalmente a Viagem ao Centro da Terra. Gostei sobretudo das tecnologias exploradas. Talvez diverge-se um pouco, tem vários focos de atenção na notícia.

Um Dia na Vida do Intrépido Teófilo, de Carlos Silva.
Está muito engraçada, com maior pendor para a sociedade do que à tecnologia. Alguns pormenores steampunk interessantes mas a escrita não me agarrou completamente.
Também faz o uso de voltar a usar a personagem em outras secções.

Quadragésima Quinta Demonstração Pública Anual da Academia Real de Ciências, de Pedro Cipriano. Gostei de ler mas podia ter explorado mais as tecnologias referenciadas, o modo como elas trabalhavam, até porque houve cerimónia de prémios nesta demonstração.

Este Nosso Vasto Mundo, de João Ventura.
Muito engraçado e curioso. Gostei muito de ler.

O Vapor e a Electricidade, de João Ventura.
Uma reportagem sobre uma peça de teatro, resultando assim uma história dentro de história. Também ficou muito curiosa a ideia explorada nessa peça, sobre as tecnologias em voga como personagens, muito giro!

Obituário do Barão de Antas, de A.M.P. Rodriguez
Gostei bastante de ler. A narrativa está muito interessante e o mecanismo steampunk aqui referenciado está imaginativo e até intrigante (pelo menos plausível).

Segue-se a secção de Entrevistas, dedicada a autores reconhecidas do género. É uma pena que estejam em inglês (mas lá amanhei-me :).

Marca presença uma Lista de Leituras, de vários autores e editoras, o que prova haver um nicho de mercado para este género e isso é positivo.
Devo apontar que o livro League of Extraordinary Gentlemen (a capa é de edição americana) tem edição traduzida para Portugal pela editora Devir.
Um Critica Literária de "O Intrépido Teófilo nas Ruínas de Cairo" de Carlos Silva, numa repescagem da sua personagem, brincando um pouco com o Almanaque. Muito giro!
Finalizando com promoção a livros, Antologia Lisboa Electropunk (esta verídica, com o nome Lisboa no Ano 2000 - Uma Antologia Assombrosa Sobre uma Cidade que Nunca Existiu), escrita por Sofia Romualdo;
Em Breve: "O Intrépido Teófilo no Rio Amazonas", por Carlos Silva. Oh, Carlos, já chega! :D

Finamente, a apetecível secção de Contos.
Coração Atómico, de Manuel Alves - 5*
Adorei. Um conto maravilhoso que conjuga intriga cientifica com romantismo entre automatos. A narrativa é envolvente.

Colombo, de Carla Ribeiro - 4*
Um conto muito bom que retrata o desanimo de um inventor. Gostei muito da escrita.

O Saque de Lampedusa, de José de Barros - 3*
Um conto denso com um incessante verter de infos tecnológicas. A narrativa é bastante interessante, mas não compreendi o final.

O livro termina com Créditos e Agradecimentos, e uma última secção de Anúncios, desta vez reais, a eventos, organizações e livros como o Nanozine 6 – especial steampunk

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publicado às 01:01


4 comentários

De 7partidas a 13.11.2012 às 22:22

Não tenho culpa que o Teófilo seja famoso :P

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