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A rapariga que roubava livros

18.10.12

A rapariga que roubava livros

Markus Zusak

Editorial Presença

Tradução de Manuela Madureira

Ilustrações de Trudy White

Um livro muito tocante com personagens maravilhosas

Nota 5/5.

Esta opinião é capaz de ter spoilers, eu sei lá :)

 

Adorei ler este livro. A escrita é um encanto, simples e com significado, foi um prazer ler as páginas.

 

A história está situada nos primeiros anos da II Guerra Mundial. Mas a aproximação do autor a este período muito usual na literatura é diferente do que seria habitual, com horrores e traumas físicas resultantes. Optou antes, como melhor dizer, por tranquilidade. Pelo menos na primeira metade e picos do livro. Comprar livros com cigarros seria uma das dificuldades de maior conta. Foram tempos em que crianças jogavam futebol na rua e faziam traquinices como roubar frutos de pomares e livros de prateleiras.

A protagonista é uma das crianças. Acompanhamo-la enquanto é acarinhada numa nova família e aprende a ler, sempre com atenção e afecto do seu pai. Tal como ela, que pintava palavras nas paredes para aprender, eu próprio aprendi muitas palavras novas, mas mesmo muitas. O autor esforçou-se neste sentido e a tradução fez igualmente um bom trabalho (excepto uma falha num termo técnico). Por exemplo, a primeira vez que a Morte descreve a si própria: "atoarda". Ainda pensei ler "atordoada" mas não. Diria que aprendi umas duas palavras novas em cada capítulo.

Por falar na Morte. Foi a melhor personagem do livro, na minha opinião. De início achei curiosa, dava um ambiente fantástico, sendo a narradora da história. Depois já achei menos boa, parecia cumprir meramente o seu papel. Sensivelmente a partir do meio do livro já senti a presença da Morte, já falava de si própria em várias facetas (também por esta altura a guerra chegou à rua das personagens). Gostei do pormenor da Morte entrar logo a dizer que vão todos morrer. A tempos e tempos voltava a recordar que esta e aquela personagem ia morrer. Tornava toda a leitura bastante emotiva, sabendo que aqueles seriam os últimos momentos partilhados entre as personagens. Isso também acabou por dar um final previsível, mas outra coisa não seria de esperar, sendo que estão em guerra, mas nem por isso foi menos comovente. Como se cada personagem tivesse direito a um canto de cisne. Vale imenso a pena.

As relações que a protagonista desenvolvia eram tão fascinantes como afectuosas. De destacar as com o pai, o judeu e o vizinho. Relacionava com muitas pessoas, de várias maneiras, mas estas três eram especiais.

Houve quem dissesse que os livros aqui representavam a liberdade, uma escapatória desses tempos. Também vi isso mas acho que seria algo mais, os livros reprsentavam pessoas. Veículos de ligação entre pessoas. O primeiro livro lembrava o irmão morto da protagonista. Foi com o pai que aprendeu a ler e a afugentar seus pesadelos. Hitler tinha o Mein Kampf. Ela manteve vivo um judeu através da leitura. Manteve igualmente pessoas esperançadas. Recebeu do judeu duas histórias escritas por ele, eram a história dele. Ela também escreveu o seu próprio livro. Ela roubava pessoas.

Pelo menos, na minha opinião. Descobriu o poder das palavras.

Odiei as palavras e amei-as, e espero tê-las apreendido correctamente.

 

A escrita agrada-me bastante, lê-se bastante bem e não é muito descritiva nas acções, diria que não é muito pormenorizado.

Uma coisa mesmo gira é que faz uso de um recurso estilístico que caracteriza uma personagem descrevendo o cenário e os objectos que a rodeiam. Não é a primeira vez, mas diria que o autor o faz com uma certa mestria.

Havia mãos escaldantes e um grito vermelho.

O vapor erguia-se do solo. A visão e cheiro de neve putrefacta

É um mundo de significado. Se um dia escrever um livro não me importava de roubar este estilo :)

 

A tradução parece-me excelente, possui um vocabulário à altura do que se pretendia.

A capa é simples e monocromática, a ilustração está linda. Penso ser o título que atrai mais a atenção.

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publicado às 21:10


2 comentários

De Ana Nunes a 14.11.2012 às 17:55

Sem dúvida este foi um livro que valeu a pena ler. Pela tua opinião, vejo que gostaste mesmo. :)

De rui alex a 14.11.2012 às 21:35

Sim. E podia passar o resto da vida sem o ler se não fosse um certo clube :)

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