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Lusitânia n.º 2

26.04.14

Lusitânia n.º2

Colaboradores: Carolina Vargas, Inês Montenegro, João Barreiros, João Franco, Margarida Mendes, Pedro Cipriano, ADINOSAUR, Joana Raimundo, Leonor Ferrão, Rosário Pinheiro, Rui Alex

Editor: Carlos Eduardo Nobre Cesário e Silva

Equipa: Alexandra Rolo, André Carvalho, André Pereira, Anton Stark, Carlos Silva, David Camarinha, Luís Carreto

Revista Lusitânia

 

Uma edição muito interessante da equipa Lusitânia que aposta no teor Português no Fantástico

Nota 4/5.

 

A capa, de Maria Rosário Pinheiro, está magnífica. Um domínio invejável do desenho da figura feminina. Não dir-se-ia encaixar no género Fantástico, mas é magnética, um deleite para olhos, é também aquele pormenor da duplicação e corte na imagem. Não sei quanto do conceito da capa foi também trabalho do designer, mas o conjunto da ilustração, do título reivindicativo e dos nomes dos autores a vermelho forma uma capa memorável no FC português (assim adivinho).

O editorial enumera os contos presentes mas faz também uma interpretação da capa, aproximando-a do género Fantástico e enquadrando-a em detalhes curiosos. Por si próprio é também uma história, e vale a pena. A antologia está francamente bem conseguida, uma boa selecção de textos, formam um conjunto coeso e há também um conto de autor convidado a juntar-se aos seleccionados.
O design está muito limpo e atractivo, notando um maior cuidado. Tal como na edição anterior, temos ilustrações, e bonitas, a acompanhar os textos, o que é sempre de louvar (por mim falo :) ).
Seguem-se opiniões dedicadas aos contos desta antologia:

A sereia de Cacilhas, de Carolina Vargas - 5*
Um bonito conto sobre um homem solitário e de poucas falas e que numa noite conhece uma sereia. Achei que o homem estava muito bem caracterizado e a relação entre eles transbordava de sentimento, de pureza, de alguma magia. Consegui imaginar o que o homem sentia.
O conto termina com uma tirada surpreendente (ou que pode nem ser - a verdade é que a natureza da sereia foi pouco explorada) mas gostei mais, essencialmente, da história entre o homem e a sereia. Fez-me sonhar.
A sereia ilustrada pela Leonor Ferrão é bonita e reservada, está bem capturada, mas gosto mais da ilustração do barco, o contraste entre os tons alvos com os negros está especialmente bem conseguido.

A carta, de Pedro Cipriano - 3*
Tal como o conto do mesmo autor no volume um, este não tem muita ficção especulativa e por isso perde a sua força numa antologia deste género. Sente-se que pertence a outro lugar, talvez numa antologia definida pelo universo do conto. Não tem final, dá demasiada impressão que há continuação
A história é sobre uma rapariga que vive em tempo de guerra e procura fazer o que pode para proteger a sua família. Acho que ficou um trabalho valoroso em retratar o desespero e a brutalidade que ela sofre.
Gosto do estilo das ilustrações do ADINOSAUR, especialmente do forte contraste da segunda, dão um bom contributo à história.

A fonte dos Grifos, de Inês Montenegro - 3*
O conto tem como ponto de partida um ritual académico que é costume ser praticado na Fonte dos Leões no Porto, chamado aqui de Fonte dos Grifos. O Espírito Académico é encarnado nestes grifos, que ganham vida e contam a sua história a um estudante folião. E assusta também pensar que não são os únicos grifos que podemos encontrar, pois também os há na Av. da Liberdade, em Lisboa[1]. Gostei muito, recuperou o espírito estudantil e sobretudo a solenidade que se vive nestas instituições, mas senti quebras no fluxo da narrativa.
As ilustrações que acompanham o texto são de minha autoria :)

O indicador de Deus, de Margarida Mendes - 4*
Quase que se tornava no meu favorito! Tem um estilo que muito me encanta e a premissa é caracteristicamente portuguesa. Agarrou-me logo no primeiro instante. Achei a personagem fascinante mas ainda assim carregada de mistério. Só que senti que o final do texto foi algo apressado: a cena da "conversa", particularmente, está confusa, e o final em si não encerra algumas questões. O conto merecia melhor.
A ilustração, de Joana Raimundo, que acompanha o conto é tremendamente eficaz em capturar o ambiente da história. Lindo, perfeito.

O teu semblante pálido, de João Franco - 3*
Pessoalmente, não acho o texto ao mesmo nível que os restantes, não entusiasmou-me muito. Para começar, é de terror, o género em que sou mais exigente. A história, por exemplo, dá a sensação que lhe falta alguma coisa, algo que motiva a escrita do texto, mais em concreto. Temos um casal de protagonistas e muito cedo ele vê-se privado dela. Assim é de esperar dois resultados satisfatórios, para mim: ou ele encontra-a/salva-a ou pelo menos fica a saber o que lhe aconteceu e porquê, o que vai ser feito dela ou assim. E ao longo do conto o homem não ficou perto de nenhum dos resultados e acho que nada ficou respondido, nenhuma pista sobre os destinos dos protagonistas.
E a escrita tornou-se divergente em todo o texto. A introdução gostei, tem estilo e faz uso de adjectivação, dá um ritmo apropriado. Depois o estilo começou a perder-se, a caracterização do ambiente não ficou tão forte e houve aqui e ali acções demasiado rápidas. No entanto foi uma boa leitura, tem uma escrita capaz.

O coração é um predador solitário, de João Barreiros - 4*
Uma leitura fabulosa e divertida! A acção é envolvente, e pelo facto de ser um homem a explorar destroços de navios já é fascinante. É especialmente louvável como me fez imaginar um mundo submerso tão característico sem recorrer à adjectivação.
Por outro lado, há diversos elementos no conto que não estão muito explicados (ou de todo), são peças de um universo descrito por várias obras do autor, pelo que me consta (vou ter que ir à caça do conto). No entanto, finda a leitura, é um conto que se lê bem sozinho, tive um vislumbre forte desse universo e os elementos deixam adivinhar um sentido em conjunto. Excepto a moça. Quem é ela? O que fazia num barco afundado, faria parte da tripulação? Além de que cortou a acção no clímax. Se não fosse ela, o confronto directo entre os antagonistas parece-me que teria sido empolgante :)
Há uma foto não creditada, com um ar vintage, tão apropriada e com pormenores retirados do texto; dir-se-ia que foi facultada pelo próprio autor.

[1] Há diferentes versões em todo o mundo - Veneza, então, é a casa dos grifos - mas curiosamente este "modelo" português está replicado em vários pontos do planeta: no Chateau Rohan, Saverne, França; em Bahnhofstrasse e em Selnaubrücke, Zurique, Suiça; e provavelmente em mais locais mas não quis pesquisar por mais, já diverti-me demasiado mas deixo a ideia para quem se interessar :P
Eles andam aí, é assustador

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publicado às 23:00



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