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Novos Talentos Fnac 2012

25.08.12
Os contos seleccionados pelo júri do concurso "Novos Talentos FNAC 2012" estão disponíveis aqui
Pessoalmente achei os textos seleccionados demasiados pretensiosos. São textos muito bem escritos, de um português irreprensível. As histórias infelizmente dizem muito mas nada acontece. Tirando um conto ou dois, são pouco entusiasmantes e até enfadonhos, não apelaram muito à minha sensibilidade.
E descobri que não sou propriamente fã da narração na segunda pessoa.


José Augusto
, de Maria de Fátima Santos
Está fantástico e a escrita é harmoniosa. O mais fixe é o jogo que fez da cronologia, começou por narrar acontecimentos futuros de um modo enervante - não gosto de conjecturas que não servem para nada - e com observações e devaneios desinteressantes. Mas após novas trocas veremos que eram acontecimentos passados, apenas eram recordados. Afinal as observações tinham significado.
Não é a primeira vez que leio estes jogos temporais mas a maneira como a autora empregou acho que é.
Quanto à história: é muitissimo interessante mas de certo modo desapaixonada. Foi (mais) um gajo que entrou e saiu da vida da protagonista.
Vale a pena reler.


Fashion Heroine
, de Luis Bento
Confesso que li o conto na diagonal.
Por entre as tralhas que ocupam as divisões da casa e os tratamentos hospitalares e as frases quilométricas forradas de observações desnecessárias acho que há uns pozinhos de história por aí.
É errado espetar as falas no meio do discurso narrativo, pelo menos da maneira como o autor fez. Foi inevitável ler trechos como se saídas das bocas das personagens quando assim não era.


Os Patos
, de Maria J. Castro
Não li até ao fim.
O texto é similar ao de um diário. Pela forma como era narrada, com observações desconexas que vagueavam conforme o pensamento e que no fundo não interessam a ninguém.
Há ali um esforço visivel num jogo de palavras, repetições e anadiploses, mas é só.


Shoodíaco
, de Pedro A. Amaral
Li os dois primeiros signos.


O Pátio
, de Manelmanel
Tem um tom propagandista, o autor não teve cuidado nisso.
Depois de tantas políticas e filosofias desisti de ler, queria ler um conto e não um manancial de "verdades".


Nós não matamos nem choramos o Cão-Tinhoso
, de António Jacinto Pascoal
Achei interessante e cativante. Jogou bem o estilo dos jovens. Mas receio que a mensagem passou-me ao lado...


Estética Sentimental
, de Pedro Gil
Uma escrita bastante rica e de leitura muito facilitada. A história está meio desinteressante, as próprias personagens desinteressavam de tudo, e soube-me a nada.


Contos Infaliveis
, de JJMM
Está muito engraçado, joga com personagens-narradores e brinca com os clichés. Elas constroem uma história (dentro do conto) mas infelizmente tem o mesmo problema dos outros contos.


Sobre os passos que matam
, de Rute Castro
Não entendi um único parágrafo. Definitivamente não é para mim.


Tempestade
, de Sofia Afonso Pereira
Um conjunto de 16 mini-contos, todos com personagens curiosos, bizarros ou desanimados. Bastante irreais mas sentimos como veridicos. Muito bom.



Um nota especial para a arte que acompanha os contos que é simples e exemplar, um belo trabalho.

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publicado às 01:34

Os meus vizinhos - Os Yamadas

07.08.12

Os meus vizinhos - Os Yamadas

Isao Takahata

Estúdio Ghibli

Uma animação simpática com humor querido e terno. Fica a ideia que foi pouco mais que uma experiência do Ghibli mas que resultou.

Nota 3/5.

A primeira coisa que se destaca imediatamente é o estilo da animação empregue. Parece-se algo como aguarela, com cores suaves, em vez do habitual acrílico, com cores fortes e vivas. Também a caracterização das personagens é bastante diferente, neste filme estão desenhadas de um modo bastante simples, quase chibis. Penso que foi a primeira longa-metragem sem uma caracterização realista, se assim se pode dizer das obras de animação, que assisti; foi algo que estranhou bastante de início.

No entanto resulta, deixou-me impressionado a fluidez que atingiu. Os cenários, os movimentos, a acção, tudo animado de modo fantástico, assisti rendido à primeira cena e exclamei (bem, pensei): isto é Ghibli!!

Foi só a primeira cena. O resto do filme, nada a ver!

O filme é constituido como crónicas de uma familía japonesa, os Yamadas. A avó, os dois pais e os dois miúdos.

São histórias curtas, curtíssimas. Na verdade até funciona como um programa de sketchs cómicos. Não tem início nem fim mas quase todas são dedicadas ao humor. Não achei ser um humor estereotipado, como se é habitual em alguns programas assim, mas reconhece-se a familiaridade das cenas representadas. Um humor universal. Não é disparatado mas serviu para soltar umas valentes gargalhadas. Mas em geral é terno e comovente, é um filme de diversão com um toque de tristeza que as animações japonesas habitualmente conseguem fazer. Acho que a isso muito ajudou o estilo simplista: um pouco mais elaborado como o Doraemon, por exemplo, e o encanto perdia-se. As expressões estão tão exageradas às vezes que ficam tão engraçadas.

Não há uma história de fundo que serve de suporte às curtas. São episódios soltos, tranquilos e corrisqueiros (até mesmo preocupantes) de uma familía que podia ser uma qualquer japonesa ou mesmo uma portuguesa. Acabei por não saber muito da família, como um vizinho também não saberia, como se eu fosse esse mesmo vizinho. Daí talvez o título do filme. O filme peca neste ponto, sentiu-se falta de um rumo.

Gostei bastante mas penso que não conquistará qualquer espectador.

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publicado às 19:13


Feira do Livro de Braga

Braga, 3 de Julho a 19 Julho


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rui alex



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