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Livros da Feira do Livro de Braga 2013 + Conto de Natal de Afonso Cruz

09.12.13

A Feira do Livro de Braga este ano foi pequena. Costumava haver inúmeros stands, formavam longos e atravessados corredores, enchiam o pavilhão por completo. Não sei se este ano participaram menos livrarias e menos editores. O que é certo é que a visita foi mais rápida, os stands formavam uma meia lua e deu a sensação que ficou tudo visto, sem algum stand por ver.
Estava interessante e agradável.
O que continua na mesma são os preços. Os descontos são poucos e baixos, há anos que é assim e não me faz ter grande interesse em visitar a Feira todos os anos. Comprar livros na Feira é o mesmo que comprar em livrarias. As novidades é normal que sejam ao mesmo preço mas podiam aproveitar a Feira para baixar nos livros que não vendem muito.
Foi pena que não esteve a habitual Casa da BD, a BD quase que ficou em falta no espaço.
Como sempre, o que valeu na Feira foi o(s) alfarrabista(s) que vende a 1 ou 2 euros livros de muitas coleções de FC e Policial, como o Argonauta, Bolso Noite, até aqueles livrinhos que saíram em colecções do jornal Público, entre outros.
Aproveitei para fazer compras, e espreitar alguns livros.

 

"O Livro do Ano", do Afonso Cruz é um livro curioso. Cada página corresponde a um dia do ano (não são todos os dias do ano) e em muitas delas não há mais que uma frase. Uma frase só! Mas são pequenos tesouros, encontrados por uma imaginação fora de série que só vi no Afonso Cruz. E são acompanhados por ilustrações, algo grosseiras mas com um encanto próprio. O preço, temos que dizer, é um escândalo, é o praticado como se um qualquer livro fosse, mas este é diferente, são umas 100 frases para sermos justos. Fiquei indeciso, queria mesmo ler o resto, mas o livro acabou por ficar na feira.
Recomendo pelo menos uma espreitadela a este pequeno livro.
Li dois livros infantis antes de sair.

 

"Era uma vez uma velhinha", de Jeremy Holmes (editora Dinalivro). A história é aquela duma música popular norte-americana (ler aqui ). O que destaca neste livro é o formato, um livro minúsculo dentro de uma caixa, e sobretudo as ilustrações. Tinha-me também chamado à atenção um selo dourado na capa por ter ganho um prémio literário, "Bologna Ragazzi Awards 2010". Há uma surpresa no fim da leitura, e por isso é que há uma caixa, mas no seu conjunto acho que não é caso para ganhar um prémio. Mas sim, são umas ilustrações soberbas, com um gostinho gótico. A tradução está magnifica, conseguiu um tom delicioso e obedecer à ritma do texto (não sei se não é a tradução geralmente usada, tendo em conta ser um texto antigo)

 

"O livro da avó", de Luís Silva (editora Afrontamento). Também chamou-me à atenção um selo dourado (mas eu sou algum corvo?), o de Prémio Bissaya Barreto de Literatura para a Infância 2008. Um texto curto mas emotivo, até fiquei triste. A página do mar diz tudo. Não imagino como reagiria uma criança, especialmente se passou pelo mesmo que o protagonista. As ilustrações estão ricas de pormenores e de cores, em contra-corrente com a moda do traço sintético.

 

+ + +

 

Na Revista 2 do jornal Público (de 08 de Dezembro) saiu um conto de Natal do Afonso Cruz, "Um Natal ao lado".
Gosto do que ele costuma fazer, os textos são fascinantes. Além das histórias contadas, contêm também observações muito curiosas e geniais que não encontro mais ninguém a fazer. Tento sempre ler os textos dele sempre que possa, incluindo nas revistas bang!.
Talvez por ser um fã dele, achei que este conto de Natal é uma desilusão. De Natal não tem nada, nem a história é muito por aí além. E especialmente senti falta do fascínio que cultivava nos seus textos.
A sua ilustração que acompanha o conto é espectacular!

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publicado às 23:00

Jesus Cristo bebia cerveja

11.02.13

Jesus Cristo bebia cerveja

Afonso Cruz

Alfaguara (não tem em pt...)

Livro fascinante e desanimador em igual medida

Nota 4/5.

É um livro que imediatamente cria fascínio, seja pelo tom, seja pela escrita. Uma escrita rica e cativante, pontuada por frases marcantes que facilmente são recordadas após terminar a leitura. O autor é capaz de fazer cada observação fascinante, as páginas estão pejadas delas.
Além do carácter filosófico, há também uma certa bizarria nas personagens. É uma colecção de personagens singulares mas a minha favorita é o rapaz da lanterna, que infelizmente teve pouco tempo de presença, cuja particularidade é andar com a lanterna sempre a todo a lado (dito assim não parece, só lendo). O rapaz é um pastor e ilumina o caminho das pessoas. A lanterna é um exemplo de símbolo e através da simbologia o autor construiu pequenas histórias que orbitam as personagens. Gosto de como o autor o fez, não diz "as coisas são como" mas "as coisas são". Eu, pessoalmente, sempre vi a comparação como uma espécie de batota (sim, fiz agora). Parece fácil dizer "esta coisa é tão xpto como essa_imagem_que_não_tem_nada_a_ver". É dizer de uma vez e pronto "esta coisa é imagem_que_não_tem_nada_a_ver". É mais difícil fazer resultar. Confere assim a tal bizarria, mas as personagens são-no mesmo.
(Adiante, isto é um mero aspecto do livro)

Mas é um livro negro. Pessimista. O fascínio cedeu lugar a inquietude. Cheguei a um ponto que me desligava da história, não sei como isso aconteceu, mas foi nessa monotonia que senti desânimo com as personagens todas, principalmente com o Professor (que na minha opinião é a personagem principal, achei que tinha o passado mais explorado). Ele que parecia tão decente tornou-se totalmente enervante, o nojento nem apercebia do mal que causava nas pessoas. Apetecia-me dar-lhe uns tabefes.

Este tipo de fervor não é nada, nada comum, não é com qualquer livro que acontece.

 

A capa está tão engraçada.

Curiosidade: o livro vem acompanhado com um livrinho "A morte não ouve o pianista", é um primor. Só que aconteceu o livro contar o final do livrinho, que chatice, ainda não o tinha lido. E até teria sido melhor ter-lo lido primeiro, pois o final do "Morte" complementa o final do "Jesus".

 

Curiosidade segunda: há uma parte em que a população da aldeia une os esforços para levar a avó de uma personagem à Israel.

spoiler )

Ah, recordações...

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publicado às 19:36


Feira do Livro de Braga

Braga, 3 de Julho a 19 Julho


A ler


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